Missão do Homem Inteligente na Terra

A passagem a seguir fala sobre a questão do mal uso de conhecimento adquirido ao longo de nosso vida. Como por exemplo, a demostração do saber como forma de enobrecimento pessoal.

A inversão de valores que são considerados essenciais na sociedade pode ser observada nos dias de hoje. O orgulho é enaltecido cada vez mais. A busca pelo conhecimento é feita de forma a fazer com que o individuo fique sempre em destaque. O enobrecimento pessoal é tratado como objetivo de vida (mesmo sem o próprio individuo perceber).

De acordo com a passagem, devemos saber como usar todo o conhecimento adquirido em nossa vida. Se tivemos acesso a este conhecimento, devemos ser gratos a Deus que nos fez merecedores de tal conquista. E como agradecimento, o usaremos de forma correta. Ou seja, sem ir de contra aos seus ensinamentos.

De acordo com o Espiritismo, o conhecimento que nos foi dado deve ser encarado como parte da missão de nosso espirito.  A nossa missão pode ser vista como uma estrada na qual percorremos ao longo da vida. E Deus é seria como nosso orientador. Se desviarmos do nosso caminho, Deus nos guiará de volta ao mesmo por meio de aprendizados que nos farão refletir sobre o nossa conduta.

13 – Não vos orgulheis por aquilo que sabeis, porque esse saber tem limites bem estreitos, no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais um das sumidades desse globo, não tendes nenhuma razão para vos envaidecer. Se Deus, nos seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, foi por querer que a usásseis em benefício de todos. Porque é uma missão que Ele vos dá, pondo em vossas mãos o instrumento com o qual podeis desenvolver, ao vosso redor, as inteligências retardatárias e conduzi-las a Deus. A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer? A enxada que o jardineiro põe nas mãos do seu ajudante não indica que ele deve cavar? E o que diríeis se o trabalhador, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu senhor? Diríeis que isso é horroroso, e que ele deve ser expulso. Pois bem, não se passa o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir, entre os seus irmãos, a ideia da Providência? Não ergue contra o seu Senhor a enxada que lhe foi dada para preparar o terreno? Terá ele direito ao salário prometido, ou merece, pelo contrário, ser expulso do jardim? Pois o será, não o duvideis, e arrastará existências miseráveis e cheias de humilhação, até que se curve diante daquele a quem tudo deve.

 

A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada. Se todos os homens bem dotados se servissem dela segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a humanidade. Muitos, infelizmente, a transformaram em instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa de sua inteligência, como de todas as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-o de que uma poderosa mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu.

Se fosse um homem de bem, teria morrido

Segundo o espiritismo, a encarnação é vista como um meio de aprendizado para nossos espíritos. Encontramos desafios e obstáculos, ao longo da vida, que nos fazem refletir sobre certas questões e ressignificar-las, para que nos tornemos seres perfeitos.

Ainda, segundo a doutrina espirita, nossos espíritos planejam tudo antes de sua encarnação. O objetivo deste planejamento é a nossa evolução espiritual. Eles escolhem exatamente todo o cenário em que o espirito reencarnará e, assim, cria as condições de todo o seu aprendizado, chamado por muitos de missão de vida.

Podemos dizer que Deus é quem comanda essa orquestra. Ele coordena todo o nosso planejamento. Ele sabe a hora certa que as coisas irão acontecer e dá inicio e fim a todos os nossos ensinamentos. Além de dizer exatamente quando termina a nossa missão de espíritos encarnados.

O texto em citação abaixo explica uma visão popular que a doutrina espirita vem a confrontar. Uma visão que diz ser melhor alguém “malvado” morrer primeiro que alguém “bom”. Porém, se pensarmos conforme o espiritismo, podemos interpretar o contrário.  A “morte” seria uma recompensa para o espirito em questão.  A recompensa viria em forma de liberdade a quem já cumpriu a sua missão em sua encarnação e já cumpriu conforme o planejado.

Muita atenção para diversas interpretações que esse texto pode causar. Não devemos usar esse argumento como forma para cometer um homicídio ou suicídio. Estou falando de justiça divina. Somente Deus sabe a hora que cada espirito deve desencarnar. Ele sabe de todos os nossos aprendizados que devem acontecer nessa encarnação. Se um espirito não tiver concluído a sua missão, ele terá que reencarnar outra vez em busca de seu aprendizado.

Sendo assim, nunca devemos duvidar da justiça divina. Deus é quem ordena tudo e todos. Nossos aprendizados farão com que nos tornemos seres perfeitos um dia.

            22 – Dizeis freqüentemente, ao falar de um malvado que escapa a um perigo: Se fosse um homem de bem, teria morrido. Pois bem, ao dizer isso, estais com a verdade, porque, efetivamente, Deus concede muitas vezes, a um espírito ainda jovem na senda do progresso, uma prova mais longa que a um bom, que receberá, em recompensa ao seu mérito, o favor de uma prova tão curta quanto possível. Assim, pois, quando empregais este axioma, não duvideis de que estais cometendo uma blasfêmia.

            Se morrer um homem de bem, vizinho de um malvado, apressai-vos a dizer: Seria bem melhor se tivesse morrido aquele. Cometeis então um grande erro, porque aquele que parte terminou a sua tarefa, e o que ficou talvez nem a tenha começado. Por que, então, quereis que o mau não tenha tempo de acabá-la, e que o outro continue preso à gleba terrena? Que diríeis de um prisioneiro que, tendo concluído a sua pena, continuasse na prisão, enquanto se desse à liberdade a outro que não tinha direito? Ficai sabendo, pois, que a verdadeira liberdade está no desprendimento dos laços corporais, e que enquanto estais na Terra, estais em cativeiro.

            Habitue-vos a não censurar o que não podeis compreender, e crede que Deus é justo em todas as coisas. Freqüentemente, o que vos parece um mal é um bem. Mas as vossas faculdades são tão limitadas, que o conjunto do grande todo escapa aos vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por superar, pelo pensamento, a vossa estreita esfera, e à medida que vos elevardes, a importância da vida terrena diminuirá aos vossos olhos. Porque, então, ela vos aparecerá como um simples incidente, na infinita duração da vossa existência espiritual, a única verdadeira existência.

Diabo – O Diabo nunca existiu

Nessa segunda postagem, eu vou abordar outro assunto muito polemico dentro da doutrina espirita: O Diabo. Assunto esse que pode parecer pesado para alguns, mas que deve ser falado.

Primeiramente, gostaria de recomendar o livro “Espiritismo – o que você realmente precisa saber” do Gerson Simões Monteiro. A leitura do mesmo é fácil e é uma ótima introdução pra quem deseja aprender mais sobre a doutrina espírita.

Segundo o espiritismo, não devemos acreditar na Diabo. A explicação dada é que Deus, como criador de tudo e de todos, nunca iria criar um espírito que fosse mau eternamente. Deus sempre deseja que os seus filhos se tornem seres evoluídos e perfeitos.

A doutrina espírita é baseada justamente na evolução de cada espírito, ao longo de suas encarnações. Deus cria oportunidades e desafios em nossas vidas com essa intenção.

Por isso, sejamos sempre gratos a Deus. Se fizemos alguma coisa ruim no passado, devemos identificar nossos erros e buscar melhorar no futuro. Deus nos dará essa oportunidade para provarmos que evoluímos.

Modo de Orar

Acho engraçado que o primeiro post do blog tenha sido logo esse. Esse foi o primeiro ensinamento da doutrina espirita que eu tive contato. E acredito ser o mais importante dentre todos.

Logo na primeira palestra assistida em uma casa espirita, eu me deparei com esse discurso: Será que sabemos Orar? Acho esse tema bem polêmico, pois desde nossa infância (pelo menos da minha) estamos acostumados com um tipo de oração, aquela que é feita com repetições e frases feitas. Porém, me ensinaram que a Oração deve ser apenas uma conversa com Deus. Devemos criar a nossa própria sintonia com Ele e falar tudo o que estiver na nossa mente.

Durante a Oração, não devemos apenas pedir pelas coisas que sentimos falta no cotidiano. Deus já sabe de tudo. Ele sabe o que nós realmente necessitamos. Ele nos conhece como ninguém (Melhor até do que nós mesmos). Se devemos pedir algo, que seja a coragem e força para vencer os obstáculos que enfrentaremos.

A parte que precisamos priorizar na nossa Oração é a Gratidão. Esse é o principal aspecto a ser valorizado. Devemos agradecer por tudo o que Ele nos dá. Sejam elas boas ou ruins. As coisas boas, por nos mostrar que somos merecedores. E as coisas ruins, por nos dar a oportunidade de evoluir a partir de um desafio em nossas vidas.

Por isso, devemos sempre Orar a todo o momento. A Oração nos fará ter uma melhor sintonia com Deus.

Segue o texto.

   22 – O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar o seu retorno à atividade diária, é a prece. Vós orais, quase todos, mas quão poucos sabem realmente orar! Que importam ao Senhor as frases que ligais maquinalmente uma às outras, porque já vos habituastes a repeti-las, porque é um dever que tendes de cumprir, e que vos pesa, como todo o dever?

 

A prece do cristão, do Espírita, principalmente, de qualquer culto que seja  , deve ser feita no momento em que o Espírito retoma o jugo da carne, e deve elevar-se com humildade aos pés da Majestade Divina, mas também com profundeza, num impulso de reconhecimento por todos os benefícios recebidos até esse dia. E de agradecimento, ainda, pela noite transcorrida, durante a qual lhe foi permitido, embora não guarde a lembrança, retornar junto aos amigos e aos guias, para nesse contato haurir novas forças e mais perseverança. Deve elevar-se humilde aos pés do Senhor, pedindo pela sua fraqueza, suplicando o seu amparo, a sua indulgência, a sua misericórdia. E deve ser profunda, porque é a vossa alma que deve elevar-se ao Criador, que deve transfigurar-se, como Jesus no Tabor, para chegar até Ele, branca e radiante de esperança e de amor.

 

Vossa prece deve encerrar o pedido das graças de que necessitais, mas de que necessitais realmente. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que abrevie a vossa provas, ou que vos dê alegrias e riquezas. Pedi-lhe antes os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Evitai dizer, como o fazem muitos dentre vós: “Não vale a pena orar, porque Deus não me atende”. O que pedis a Deus, na maioria das vezes? Já vos lembrastes de pedir-lhe a vossa melhoria moral? Oh, não, tão poucas vezes! O que mais vos lembrais de pedir é o sucesso para os vossos empreendimentos terrenos, e depois exclamais: “Deus não se preocupa conosco; se o fizesse, não haveria tantas injustiças!” Insensatos, ingratos! Se mergulhásseis no fundo da vossa consciência, quase sempre ali encontraríeis o motivo dos males de que vos queixais. Pedi, pois, antes de tudo, para vos tornardes melhores, e vereis que torrentes de graças e consolações se derramarão sobre vós! (Ver cap. V, nº 4).

 

Deveis orar incessantemente, sem para isso procurardes o vosso oratório ou cairdes  de joelhos nas praças públicas. A prece diária é o próprio cumprimento dos vossos deveres, mas dos vossos deveres sem exceção, de qualquer natureza que sejam. Não é um ato de amor para com o Senhor assistirdes os vossos irmãos numa necessidade qualquer, moral ou física? Não é um ato de reconhecimento a elevação do vosso pensamento a Ele, quando uma felicidade vos chega, quando evitais um acidente, ou mesmo quando uma simples contrariedade vos aflora à alma, e dizeis mentalmente: “Seja bendito, meu Pai!”?  Não é um ato de contribuição, quando sentis que falistes, dizerdes humilde para o Supremo Juiz, mesmo que seja num rápido pensamento: “Perdoai-me, Deus meu, pois que pequei (por orgulho, por egoísmo ou por falta de caridade); dai-me a força de não tornar a falir, e a coragem de reparar a minha falta”?

 

Isto independe das preces regulares da manhã e da noite, e dos dias consagrados, pois, como vedes a prece pode ser de todos os instantes, sem interromper os vosso afazeres; e até, pelo contrário, assim feita, ela os santifica. E não duvideis de que um só desses pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai celestial do que as longas preces repetidas por hábitos, quase sempre sem um motivo imediato, apenas porque a hora convencional maquinalmente vos chama.